Batman
O Cavaleiro das Trevas

A espera finalmente acabou. Batman O cavaleiro das Trevas( The Drak Knight, no original) já está em cartaz nos cinemas. E eu, após muitos séculos de espera, fui assistir. E na estréia.
A expectativa em torno do filme sempre esteve muito alta, já que este era uma continuação direta de Batman Begins, empreitada de Chistopher Nolan que mostrava o mundo do homem morcego de uma forma bem diferente dos filmes anteriores, muito mais obscura e mais adulta. A espera aumentou mais quando o ator Heath Ledger, escalado para ser o Coringa, após o término das filmagens foi encontrado morto em um quaro de hotel. Causa: overdose de remédios para dormir. Disseram, então, que Ledger estava tomando remédios por causa do papel do conturbado Coringa. Não se sabe. Mas a partir desse momento o mistério em torno do filme só cresceu.
Meses após sua morte, começam análises, notícias, trailers. E críticas. Todas muito favoráveis ao filme e, principalmente, a atuação de Heath Leadger. A ansiedade aumenta. Os ingressos esgotam. E, após a esperada estréia, o filme se torna sucesso de bilheteria, sendo a maior arrecadada em um primeiro dia.
Em resumo, a história mostra Gotham City algum tempo depois do surgimento do Batman(Christian Bale) que prende cada vez mais criminosos. A cidade também sê sente mais protegida por causa da existência do Cavaleiro Branco, Harvey Dent (Aaron Eckhart), um promotor que cada vez mais coloca pessoas da máfia na cadeia. Para o Homem Morcego ele representa seu substituto direto na luta contra o crime, o que possibilitaria que ele se aposentasse e pudesse viver com Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal). Ela, por sua vez, namora o defensor público. Um grupo de criminosos, com medo, resolve contratar alguém para acabar com Batman. É ai que aparece o Coringa (Heath Ledger). Mas há uma diferença básica entre eles, enquanto os primeiros querem dinheiro e poder, o segundo só quer causar o caos. Na luta contra o crime, temos, ainda, o policial Gordon (Gary Oldaman) que com astucia e coragem, durante todo o filme, tenta pegar o Coringa.
Bom, essa história você provavelmente já sabe. Agora vamos à análise.
O cavaleiro das trevas é, sim, tudo o que disseram e muito mais. O filme é cheio de cenas de ações belíssimas e impecavelmente bem feitas, que em nenhum momento se tornam cansativas, já que não são longas demais, apesar do ritmo do filme ser frenético. Quanto ao roteiro, esse merece atenção, já que possui diálogos muito bem feitos, com frases que vão ficar para a memória - “WHY SO SERIOUS?” - e piadas muito inteligentes e cheias de ironia. O som também está ótimo, a musica orquestrada chega, às vezes, a combinar com as ações dos personagens, alem disso, boa parte vai ficar na memória. Não se espante de, em qualquer dia desses, se pegar cantando alguma delas. Eu acredito que o visual está um pouco menos obscuro que o filme anterior, com mais cenas durante o dia, mas que com certeza, não vencem as cenas da noite. Espere até chegar à que ocorre no meio de uma rua quando o Coringa manda Batman atropelá-lo. A melhor parte com certeza. Agora, o principal: as atuações. Christian Bale está muito mais maduro como Batman do que no filme anterior. Ele mostra os dois lados de Bruce Wayne, um que se preocupa com o bem-estar das pessoas, o Homem Morcego, e outro rico, arrogante, mulherengo e prepotente. Além de bastante irônico e até brincalhão. Os outros grande atores também mostram serviço. Gary Oldman como o comissário Gordon mostra mais uma de suas facetas; Alfred (Michael Cane) é o verdadeiro clássico mordomo que ajuda o Batman incondicionalmente sempre que precisa, sendo como um pai para ele; Maggie Gyllenhaal, apesar de aparecer pouco no filme, mostra serviço como Rachel, variando entre uma mulher forte e corajosa e uma delicada que tem que abdicar ao amor de Batman e viver com a indecisão de aceitar ou não o pedido de casamento de Harvey Dent - ela com certeza está bem melhor de que Kate Holmes no papel; Morgan Freeman mostra sua competência como Lucius Fox, a pessoa que cria todos os aparatos de Bruce Wayne e cuida de seus negócios. Quanto a Heath Ledger como o Coringa, esse merece um parágrafo a parte.
O coringa é perfeito e inigualável. Tem uma maquiagem própria; andar diferente, um tanto quanto encurvado que não falha em nenhum momento; sua risada é insana e perturbadora; seu sorriso demonstra sua loucura e chega a ser assustador; suas piadas são mortais; rosto cheio de cicatrizes; roupa extravagante; só não se espante quando sair do cinema e se ver mexendo a língua como ele faz. Um personagem profundo como ele, capaz de tudo, com idéias próprios, psicopata, completamente perturbado com uma historia obscura que ele brinca várias vezes criando-a e recriando-a com o passar do filme. Ledger não era ele, mas sim o verdadeiro Coringa. Esse maravilhoso ator conseguiu algo quase impossível: recriou um personagem, mas não anulou sua versão antiga, fez algo completamente diferente. Comparações são inevitáveis. Enquanto o primeiro era muito mais cômico e cartunizado, sem deixar de ser louco, o segundo é muito mais perturbado e humanizado, próximo da realidade, alguém que é capaz de tudo. No fim, o filme não era do Batman, mas sim do Coringa.
O cavaleiro dos trevas é com certeza o melhor filme do ano e um dos melhores da história. O diretor Christopher Nolan e sua equipe fizeram um trabalho que merece ser aplaudido de pé, porém o mundo ficou mais triste já que esse foi o ultimo trabalho do inigualável Heath Ledger.

